Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira foi um dos maiores ídolos do Brasil e um dos maiores meio-campistas da história do futebol. Conhecido como o "Doutor", ele conciliou a genialidade nos gramados com a formação em medicina e forte ativismo político. Sua trajetória única une o nascimento no Pará, a consagração no Corinthians e um fim precoce aos 57 anos devido a complicações do alcoolismo.
Infância e Formação
Nascido em 19 de fevereiro de 1954 em Belém (Pará), o nome incomum foi uma escolha do pai, um funcionário público fascinado pela filosofia clássica.
- Sócrates: Seu Raimundo, era um homem culto e apaixonado por história e literatura. Ele nomeou os filhos com base em grandes figuras da Antiguidade grega (além de Sócrates, ele teve filhos chamados Sófocles e Sóstenes). O batizou com o nome do filósofo grego após ler "A República" de Platão.
- Brasileiro: Um nome usado por seu pai como uma forma de exacerbar o patriotismo na época.
- Sampaio de Souza Vieira de Oliveira: São os sobrenomes de família, herdados de seus pais e antepassados.
Ainda na infância, sua família mudou-se para Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Foi lá que ele cresceu, começou a dar seus primeiros passos no futsal e no futebol, e desde cedo chamou a atenção por sua habilidade inconfundível, visão de jogo e o clássico passe de calcanhar. Contrariando a rota tradicional dos atletas, Sócrates ingressou na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), conciliando os estudos com a rotina de treinos no time juvenil do Botafogo-SP.
Carreira no Futebol
Em 1973, ele ingressou no time profissional do Botafogo de Ribeirão Preto-SP, onde destacou-se profissionalmente demonstrando toda a sua classe. Em 1978, transferiu-se para o Corinthians, onde se tornaria uma lenda. Com sua estatura alta, técnica refinada, passes precisos e a clássica bandana na cabeça, ele liderou o movimento da Democracia Corintiana nos anos 1980— um movimento revolucionário onde jogadores, comissão técnica e funcionários tinham o mesmo peso nas decisões do clube e se posicionavam contra a Ditadura Militar.’
Pela Seleção Brasileira, brilhou vestindo a camisa 10 e a 8. Destacou-se nas Copas do Mundo de 1982 (Espanha), sendo o capitão da inesquecível equipe comandada por Telê Santana, e de 1986 (México). Ao longo da carreira, ele também defendeu clubes como Fiorentina (Itália), Flamengo e Santos.
Morte e Causas Clínicas
A forma que levou à morte de Sócrates esteve diretamente ligada ao alcoolismo, condição que o próprio ex-jogador admitia publicamente enfrentar. O consumo prolongado e excessivo de bebida alcoólica comprometeu severamente seu organismo, causando uma lesão hepática e cirrose.
Em agosto de 2011, ele foi internado pela primeira vez na UTI com um quadro de hemorragia digestiva alta provocada por uma cirrose hepática. Na ocasião, ele chegou a admitir o alcoolismo em entrevistas.
No início de setembro de 2011, Sócrates sofreu uma hemorragia no esôfago e precisou retornar ao hospital e teve que ser internado pela segunda vez em estado grave, sendo constatado o avanço da doença no fígado.
Na noite de quinta-feira, 1º de dezembro de 2011, ele foi internado pela terceira vez no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, devido a uma infecção intestinal. O quadro rapidamente evoluiu para um choque séptico (infecção generalizada), agravada por sua condição hepática e renal.
Apesar dos esforços médicos e do uso de antibióticos potentes, Sócrates não resistiu e faleceu aos 57 anos, na madrugada do dia 4 de dezembro de 2011, um domingo, em decorrência de um choque séptico.
Curiosamente, anos antes, em uma entrevista, Sócrates havia expressado o desejo de morrer em um dia de domingo em que o Corinthians fosse campeão. O destino fez com que ele falecesse justamente no dia em que o clube alvinegro empatou com o Palmeiras e conquistou o Campeonato Brasileiro de 2011.

