Leonete Silva de Souza
Leonete Silva de Souza nasceu em Marialva, Paraná, no dia 25 de abril de 1959, filha de José Paulino da Silva e Zenaide Rubio da Silva. Desde cedo, carregou consigo características que marcariam toda a sua vida: a bondade, a generosidade, a alegria e uma imensa capacidade de amar.
Em 16 de setembro de 1978, casou-se com Elzo Aparecido de Souza, seu amado "Bem", iniciando uma história de amor, companheirismo e dedicação que durou por toda a vida. Dessa união nasceram seus filhos: Anderson Silva de Souza, em 14 de fevereiro de 1980; sua segunda filha, em 13 de julho de 1983; e sua caçula, Érica, em 14 de outubro de 2002. Sua família era seu maior orgulho e sua maior felicidade.
Ao longo de sua trajetória, trabalhou por muitos anos em um colégio, onde era conhecida por sua dedicação, responsabilidade e carinho. Como em tudo o que fazia, entregava-se de coração, deixando sua marca nas pessoas que tiveram a oportunidade de conviver com ela.
Mas a história de Leonete não pode ser contada apenas por datas, acontecimentos ou pelos lugares por onde passou. Sua verdadeira história vive nas lembranças que deixou, nos momentos compartilhados e no amor que espalhou ao longo dos anos.
Havia muitas formas de descrever Leonete: esposa, mãe, irmã, tia, amiga. Mas talvez nenhuma delas seja tão verdadeira quanto uma palavra simples: colo.
Leonete era colo para seu amado "Bem", companheiro de toda uma vida. Era colo para seus filhos, que encontravam nela abrigo nos dias difíceis e companhia nos dias felizes. Era colo para seus irmãos, sobrinhos, amigos e para qualquer pessoa que precisasse de carinho, conselho ou simplesmente de alguém que estivesse ali.
Sua presença trazia conforto. Seu abraço acalmava. Sua voz transmitia segurança. Ela possuía o raro dom de fazer as pessoas se sentirem protegidas, acolhidas e profundamente amadas.
Era uma mulher alegre, de sorriso fácil e risada inconfundível. Gostava de cantar e adorava ouvir suas músicas românticas e melancólicas em um volume que muitas vezes podia ser ouvido de longe. Em casa, sua alegria preenchia os ambientes e transformava os dias comuns em momentos especiais.
Demonstrava amor através dos pequenos gestos. Gostava de passar a roupa do seu "Bem" e vê-lo sair arrumado para os bailes. Fazia listas de compras detalhadas e mantinha a casa abastecida como quem cuida de um tesouro. Para ela, nunca era demais ter mais um detergente, mais uma garrafa de óleo ou mais algum mantimento guardado. Era sua forma silenciosa de cuidar daqueles que amava.
Na cozinha, criou lembranças que permanecerão para sempre. Sua famosa torta de frango era motivo de brincadeiras na família. Ela reclamava, dizia que não queria fazer e até acordava brava quando apareciam com os ingredientes esperando pela receita. Mas, no fim, preparava tudo com amor porque sabia o quanto aquilo fazia seus familiares felizes.
Seu macarrão alho e óleo, a carne de porco na panela, o macarrão com frango e o café doce como mel tinham um sabor impossível de reproduzir. Não eram apenas receitas. Eram demonstrações de carinho servidas à mesa.
Tinha suas manias adoráveis: colecionava meias dos mais variados tipos, fazia estoques de mantimentos e transformava tarefas simples em histórias que hoje arrancam sorrisos e lágrimas de saudade. Também tinha suas expressões inesquecíveis. Especialmente o famoso "Zinferno!", geralmente seguido por uma gargalhada.
Leonete não será lembrada apenas pelo que fez, mas pela forma como fez as pessoas se sentirem. Ela fazia todos ao seu redor se sentirem amados. Essa era sua maior qualidade e talvez seu maior legado.
Para alguns, ela era Leonete. Para outros, Nete. Para seu marido, era seu Bem companheira de vida. Para seus filhos, era mãe. Para seus irmãos, uma irmã querida. Para seus sobrinhos, uma tia presente. Mas para todos aqueles que tiveram a felicidade de conhecê-la, ela era alguém impossível de substituir.
Minha mãe era incrível.
Meu bem era incrível.
Minha tia Nete era incrível.
Minha irmã era incrível.
E continuará sendo, nas lembranças, nas histórias contadas em família, nas receitas que ninguém consegue reproduzir exatamente iguais, nas músicas que ainda ecoam pela casa e no amor que deixou em cada coração que teve o privilégio de conhecê-la.
Porque algumas pessoas passam pela vida.
Leonete fez mais do que isso.
Ela fez da própria vida um ato de amor. E quando as pessoas se vão, a casa costuma ficar vazia, e o silêncio passa a ecoar por seus cômodos. Mas, quando se trata dela, é diferente. O amor destoa em qualquer canto daquela casa.
Mesmo ausente aos olhos, eu sei que ela está ali. Em cada canto, em cada cômodo, em cada pequeno detalhe, eu ainda consigo vê-la. Vejo minha mãe viva na minha memória: sorrindo, cantando, reclamando, rindo, cuidando, fazendo seu café doce como mel, colocando suas músicas para tocar e enchendo a casa com a presença que só ela tinha.
A casa pode até estar mais silenciosa agora, mas, para mim, ela nunca estará vazia. Porque onde existe uma lembrança dela, existe um pedaço de sua vida. E onde existe o amor que ela deixou, ela continua presente.
Leonete partiu, mas não desapareceu. Ela permanece em nós, nas histórias que contamos, nas lembranças que guardamos e, principalmente, no amor que ainda sentimos.
Porque algumas pessoas deixam saudade.
Ela deixou amor.





